Controlo de gestão em medicina dentária: guia operacional para proprietários

O controlo de gestão no consultório dentário transforma a faturação e os custos em lucro: indicadores, painel de controlo e passos para começar no próximo mês.

Controlo de gestão em medicina dentária: guia operacional para proprietários

O controlo de gestão em medicina dentária é o sistema que transforma a faturação, os custos e os dados clínicos em lucro real, e não apenas em números para entregar ao contabilista. Aplicado com consistência, permite identificar quais os tratamentos que realmente geram retorno e quais os que desgastam a margem de lucro. Nos próximos parágrafos, verá os KPI a monitorizar, como construir um painel de controlo sintético e os passos concretos para começar já no próximo mês.

Em resumo:

  • A gestão eficaz exige um ciclo mensal ou trimestral de recolha, análise e ações corretivas sobre os KPI principais, como margens, saturação e DSO.

  • É fundamental ativar sistemas de automação de voz, lembretes automáticos e gestão integrada para otimizar a qualidade e a tempestividade dos dados.

  • Monitorizar constantemente os custos fixos e variáveis com especial atenção aos tratamentos para identificar especialidades não lucrativas e melhorar as margens.

  • A receção e os colaboradores devem ser envolvidos e formados para garantir a fiabilidade dos dados introduzidos no sistema de controlo.

  • Um controlo de gestão integrado, atualizado regularmente, permite expandir a clínica com segurança sem perder de vista a qualidade clínica e as margens económicas.

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Índice

  • O que é o controlo de gestão na clínica dentária e porque é necessário

  • As três fases operacionais a implementar

  • KPI essenciais a monitorizar e como interpretá-los

  • Ferramentas práticas: software de gestão, painel de controlo e relatórios sintéticos

  • Implementação prática passo a passo

  • Exemplo prático: como a automação reduz o trabalho administrativo

  • Como se calcula a rentabilidade dos planos de tratamento

  • Agenda, faltas (no-show) e recall: as alavancas operacionais na rentabilidade

  • Orçamento e previsão financeira para a clínica dentária

  • Custos fixos e variáveis: onde se esconde a margem

  • Gestão de pessoal e otimização dos custos relacionados

  • Avaliação de risco e variáveis económicas externas

  • Normas fiscais e obrigações contabilísticas associadas

  • Controlo de gestão e qualidade clínica: uma ligação direta

  • Perspetiva: o papel do proprietário em fazer funcionar os números

  • Como o Treatbase simplifica o controlo de gestão diário

  • Fontes

  • Perguntas frequentes

O que é o controlo de gestão na clínica dentária e porque é necessário

A contabilidade fiscal diz-lhe quanto faturou e quantos impostos tem de pagar. O controlo de gestão diz-lhe se está realmente a ganhar dinheiro, tratamento a tratamento, cadeira a cadeira. São duas ferramentas diferentes que respondem a perguntas diferentes: uma olha para o passado para cumprir obrigações legais, a outra olha para o presente e para o futuro para orientar as decisões.

Uma clínica pode faturar um valor elevado e ter margens modestas se os custos fixos estiverem fora de controlo ou se parte da tabela de preços trabalhar abaixo do custo. É aqui que o controlo de gestão em medicina dentária se torna decisivo: transforma os dados de faturamento, custos fixos e variáveis, e fluxo de caixa em decisões operacionais, em vez de os deixar esquecidos num ficheiro Excel atualizado uma vez por ano.

Os objetivos concretos deste sistema são três:

  • Liquidez: saber a cada momento quanto dinheiro está disponível em caixa e quanto está retido em faturas não cobradas.

  • Margens: compreender quais os tratamentos, quais os colaboradores e quais as franjas horárias que geram lucro real.

  • Escalabilidade: construir processos que permitam abrir uma segunda cadeira ou uma segunda clínica sem perder o controlo dos números.

Quem lê estes relatórios? Não apenas o proprietário. O gestor clínico, quando existente, deve ter acesso aos mesmos dados para intervir operacionalmente na receção, na agenda e na relação com os colaboradores. O controlo de gestão, afinal, não é matéria reservada aos contabilistas: quem lidera a clínica deve saber ler os números e transformá-los em ações, caso contrário o sistema não passa de um exercício académico.

As três fases operacionais a implementar

Um controlo de gestão dentária só funciona se seguir um ciclo repetível. Não basta recolher dados uma vez: é necessário um processo que se renova todos os meses ou trimestres.

  1. Recolha de dados. Registe a faturação por tratamento, custos fixos (renda, pessoal, consumos), custos variáveis (materiais, laboratório de prótese), número de primeiras consultas, orçamentos aceites e tempos médios de cobrança. Cada item deve ser codificado de forma coerente no software de gestão, caso contrário, comparar um mês com o outro torna-se impossível.

  2. Análise e relatórios. Os dados brutos devem ser sintetizados num relatório legível em poucos minutos, e não num arquivo de trinta páginas. Um painel de controlo de uma ou duas páginas que mostre os desvios em relação ao mês anterior e ao orçamento é a ferramenta mais eficaz para um proprietário que dispõe de apenas cinco minutos entre pacientes.

  3. Ação corretiva. Qualquer desvio significativo (uma quebra na taxa de aceitação de orçamentos, um aumento das faltas de pacientes, uma margem em queda num tratamento) deve gerar uma decisão em poucos dias, e não no próximo trimestre.

Um conselho: não espere pelo fecho do exercício para perceber que uma especialidade clínica está a dar prejuízo. Um painel de controlo atualizado mensalmente exige menos tempo do que imagina e evita surpresas desagradáveis em dezembro.

O ponto fraco de muitas clínicas não é a falta de dados, mas sim o excesso de dados inúteis. É preferível acompanhar cinco indicadores com consistência do que olhar para vinte números uma vez e depois esquecê-los.

KPI essenciais a monitorizar e como interpretá-los

Nem todos os números merecem a mesma atenção. Alguns indicadores revelam verdadeiramente a saúde económica da clínica, outros são apenas ruído de fundo.

  • Rentabilidade horária por cadeira: faturação gerada dividida pelas horas de abertura efetiva da cadeira. Abaixo de um determinado limite (que varia consoante a zona e a especialidade), a cadeira está a trabalhar com prejuízo em relação aos custos fixos que gera.

  • Saturação das cadeiras: percentagem de horas disponíveis efetivamente ocupadas por consultas. Uma saturação abaixo dos 70% indica margem para melhorias na marcação de consultas.

  • Taxa de aceitação de orçamentos: quantos planos de tratamento propostos são aceites. Uma quebra repentina sinaliza problemas na comunicação clínica ou no preço percebido.

  • DSO (prazo médio de recebimento): quanto tempo passa entre a realização do tratamento e a cobrança do pagamento. Valores elevados bloqueiam liquidez que poderia ser reinvestida.

  • Incidência dos custos dos colaboradores e do laboratório de prótese: percentagem da faturação absorvida por estas rubricas, frequentemente subestimada no seu impacto real sobre as margens.

Estes cinco indicadores, em conjunto, constituem o núcleo mínimo de um controlo de gestão em medicina dentária funcional, e cada um exige um limite de alerta personalizado para a clínica em questão.

É um sinal que exige uma análise imediata sobre o percurso de comunicação com o paciente, antes que a quebra se traduza num défice de faturação no trimestre seguinte.

Ferramentas práticas: software de gestão, painel de controlo e relatórios sintéticos

O software de gestão que escolher determina a quantidade de trabalho manual necessário para extrair os dados úteis ao controlo de gestão. As funcionalidades a procurar não são decorativas, são operacionais.

  • Agenda multi-cadeira: visibilidade simultânea sobre todos os consultórios, para calcular a saturação real e não apenas estimada.

  • Ficha de paciente completa: histórico de consultas, planos de tratamento e estado de pagamentos num único local.

  • Faturação integrada: emissão automática que reduz erros manuais e tempos de espera.

  • Lembretes automáticos: reduzem as faltas às consultas (no-shows), que são uma das fontes de perda mais subestimadas na clínica.

O painel de controlo de navegação deve abrir-se com os cinco KPI descritos acima, e não com uma lista de transações. O proprietário deve ver na primeira página os desvios, e não os detalhes: estes mantêm-se um nível abaixo, disponíveis apenas se for necessário aprofundar.

Um conselho: evite criar dois sistemas paralelos, um para a contabilidade e outro para o controlo de gestão. Integrar os dados já presentes no software de gestão clínica numa única vista é o caminho mais sustentável: criar relatórios inúteis que sobrecarregam a receção é o risco mais comum ao introduzir um novo sistema de monitorização.

A gestão financeira integrada no software permite ligar diretamente os dados clínicos aos dados económicos, sem necessidade de transferências manuais entre folhas de cálculo diferentes.

Implementazione pratica passo passo

Ativar o controlo de gestão não exige um projeto de seis meses. Exige organização e um ponto de partida claro.

  1. Auditoria inicial. Recolha os dados dos últimos 12 meses: faturação por tratamento, custos fixos, custos variáveis, número de orçamentos propostos e aceites. O resultado é uma base de dados inicial sobre a qual construirá as primeiras comparações mensais.

  2. Configuração dos KPI no software. Codifique cada tratamento de modo a que o sistema possa calcular automaticamente a rentabilidade e a saturação. Este passo exige o envolvimento de quem na receção regista as consultas, pois a qualidade dos dados depende de quem os introduz diariamente.

  3. Definição dos limites de alerta. Estabeleça, para cada KPI, o valor abaixo (or acima) do qual se torna necessário intervir. Sem limites estabelecidos, os números não passam de observação passiva.

  4. Primeiro relatório mensal. Gere o primeiro painel de controlo e compare-o com o período anterior. Não espere a perfeição à primeira tentativa: o valor surge com a comparação repetida ao longo do tempo.

  5. Ciclo de decisão. Defina um momento fixo, mensal ou trimestral, para rever o relatório com os responsáveis operacionais e decidir as ações corretivas antes que estas se transformem em urgências.

As ações operacionais mais eficazes incluem a otimização da agenda, a definição clara de funções na receção e o recálculo periódico do custo horário da cadeira: três alavancas que, por si só, explicam grande parte da diferença entre uma clínica que fatora bem e uma clínica que lucra bem.

Exemplo prático: como a automação reduz o trabalho administrativo

A parte mais frágil do controlo de gestão não é a análise, mas sim a recolha de dados. Se a receção tiver de transcrever manualmente cada consulta, o risco de erros e atrasos aumenta e os relatórios chegarão sempre tarde demais em relação às decisões que deveriam orientar.

Alguns softwares de gestão dentária resolvem este problema através de inteligência artificial por voz, permitindo o preenchimento da ficha clínica por via oral durante a consulta, sem necessidade de parar para escrever. Estes sistemas conseguem também gerir a faturação, os lembretes automáticos para pacientes e a monitorização de tratamentos, reduzindo as tarefas manuais que habitualmente atrasam a recolha dos dados necessários para o controlo de gestão.

As clínicas que adotam este tipo de automação conseguem poupar uma quantidade significativa de horas por mês em trabalho administrativo, tempo que se traduz diretamente em maior disponibilidade para cuidar dos pacientes e em dados mais limpos para quem analisa os números da clínica.

Alguns elementos concretos que simplificam a integração com o controlo de gestão:

  • Preenchimento por voz das fichas clínicas, dispensando a posterior transcrição manual.

  • Gestão automatizada de faturas e cobranças, com menos erros de digitação.

  • Lembretes automáticos que reduzem as faltas às consultas sem necessidade de intervenção manual da receção.

  • Migração gratuita de dados a partir do software anterior, sem interrupção da atividade diária.

Quem estiver a ponderar mudar de software de gestão deve verificar quanto tempo é efetivamente libertado na receção e em quanto se reduz a margem de erro na faturação, os dois fatores com maior peso na qualidade dos dados que alimentam o controlo de gestão.

Como se calcula a rentabilidade dos planos de tratamento

Cada plano de tratamento tem um custo horário de cadeira que é frequentemente ignorado no momento de fixar o preço. O cálculo parte dos custos fixos mensais da clínica (renda, pessoal administrativo, consumos, amortizações) divididos pelas horas de abertura efetiva das cadeiras. O resultado é o custo mínimo que cada hora de cadeira deve gerar apenas para cobrir as despesas fixas, antes de se considerarem materiais e margem de lucro.


Calcolo del margine per il piano di trattamento

A este valor somam-se os custos variáveis específicos do tratamento: materiais, eventual laboratório de prótese, e o tempo do colaborador caso o tratamento seja delegado. Apenas ao subtrair ambas as rubricas ao preço faturado se obtém a margem real.

Calcular o custo horário por cadeira e a margem por tratamento individual é a ação mais eficaz para descobrir quais as especialidades clínicas que não são rentáveis, mesmo quando geram um faturamento aparente elevado. Um tratamento de implantologia complexo pode apresentar uma margem inferior à de uma sessão de higiene oral se não forem devidamente considerados os custos de laboratório e o tempo de cadeira consumido.

O módulo dedicado a colaboradores e tratamentos permite codificar cada rubrica com o detalhe necessário para este tipo de cálculo, sem necessidade de cruzar manualmente folhas de cálculo diferentes no final de cada mês.

Faturar muito não equivale automaticamente a lucrar mais: o verdadeiro ponto de equilíbrio deve ser recalculado periodicamente com base nos custos fixos reais, e não estimado apenas uma vez no início do ano e deixado inalterado.

Agenda, no-show e recall: le leve operative sulla redditività

A agenda é provavelmente a alavanca mais subestimada do controlo de gestão. Uma cadeira vazia durante uma hora não representa apenas uma perda de receita, mas também um custo fixo que continua a decorrer sem qualquer produção associada.

As faltas não comunicadas (no-shows) são a principal causa de vazios não planeados na agenda. O lembrete automático por WhatsApp apresenta uma taxa de leitura superior a 90%, muito superior à do SMS ou e-mail, e reduz significativamente as ausências não avisadas. Uma clínica que passe de lembretes manuais (ou inexistentes) para lembretes automáticos regista frequentemente uma quebra imediata e mensurável das faltas logo no primeiro mês.

O recall, ou seja, a convocatória periódica de pacientes para consultas de controlo e higiene, é a segunda alavanca. Não se trata apenas de uma atividade clínica preventiva, mas sim de uma fonte de faturação recorrente e previsível que reduz a dependência da clínica face à angariação de novos pacientes, um canal cada vez mais dispendioso.

Uma agenda multi-cadeira bem estruturada permite detetar em tempo real onde se formam vazios recorrentes, por exemplo, às terças-feiras à tarde ou às sextas-feiras após as 17:00, e intervir com campanhas de recall direcionadas para esses horários específicos.


Agenda multi-poltrona con riferimenti

Também a gestão do diário clínico e dos lembretes por paciente contribui para estabilizar as receitas: um paciente com um plano de recall ativo e bem monitorizado gera faturação recorrente sem necessidade de novas ações de marketing.

Orçamento e previsão financeira para a clínica dentária

O orçamento de uma clínica dentária não deve ser um valor genérico projetado com base no ano anterior. Deve ser construído por especialidade clínica, cruzando a saturação das cadeiras, a sazonalidade dos pacientes e os prazos médios de cobrança.

Um orçamento realista baseia-se nos dados históricos dos últimos 12 meses, segmentados por mês, para identificar a sazonalidade própria da clínica: muitas clínicas registam uma quebra natural em agosto e picos em setembro e janeiro, quando os pacientes voltam a marcar consultas após as férias de verão e de Natal.

A previsão financeira deve distinguir claramente o faturamento esperado do fluxo de caixa previsto, uma vez que estes dois valores raramente coincidem. Um plano de tratamento faturado hoje pode traduzir-se em receita real apenas semanas ou meses mais tarde, em particular se a clínica disponibilizar planos de pagamento faseado. Monitorizar o DSO a par do orçamento previsional evita planear investimentos (uma nova cadeira, um novo colaborador) com base numa liquidez que, na realidade, ainda não está disponível.

Um orçamento trimestral, revisto de três em três meses face aos dados reais, funciona melhor do que um orçamento anual rígido: permite correções rápidas sem acumular desvios durante onze meses antes de se aperceber da situação.

Custos fixos e variáveis: onde se esconde a margem

Os custos fixos de uma clínica dentária (renda, pessoal administrativo, consumos, software de gestão, amortizações de equipamentos) mantêm-se estáveis independentemente do volume de pacientes tratados. Constituem a base para o cálculo do custo horário de cadeira anteriormente descrito e devem ser monitorizados principalmente em relação à saturação: se os custos fixos aumentam mas a saturação permanece estagnada, a margem de lucro diminui sem que o proprietário se aperceba de imediato.

Por outro lado, os custos variáveis (materiais, laboratório de prótese, eventuais comissões de colaboradores) variam em proporção direta com o volume de atividade. Aqui, o controlo de gestão serve para verificar se os preços de tabela cobrem efetivamente estes custos com uma margem adequada, tratamento a tratamento.

Um erro comum consiste em analisar os custos apenas de forma agregada, no final do ano. Separar os custos fixos dos variáveis mês a mês permite perceber de imediato se um aumento nos custos de laboratório deve ser compensado com um ajuste na tabela de preços ou com uma mudança de fornecedor, antes que o impacto se acumule ao longo de doze meses de faturação.

Gestão de pessoal e otimização dos custos relacionados

O pessoal é frequentemente a segunda maior rubrica de custo fixo após a renda, e a menos analisada em termos de produtividade real. Um organigrama claro, com funções e responsabilidades definidas para cada colaborador, reduz as ineficiências decorrentes de tarefas sobrepostas ou não atribuídas.

Para os colaboradores clínicos remunerados à comissão, o controlo de gestão deve verificar se a percentagem da sua remuneração sobre a faturação gerada se mantém coerente com a margem global do tratamento. Um higienista ou médico dentista colaborador muito produtivo em termos de faturação pode ainda assim gerar uma margem baixa se a percentagem acordada não tiver em conta os custos fixos consumidos pela sua atividade.

A formação do pessoal de receção para a correta utilização do software de gestão tem um impacto direto na qualidade dos dados recolhidos e, consequentemente, na fiabilidade de todo o controlo de gestão subsequente. Uma receção que introduza consultas e tratamentos com codificações inconsistentes inutiliza qualquer painel de controlo, por mais sofisticado que seja.

Avaliação de risco e variáveis económicas externas

Uma clínica dentária não opera num ambiente isolado das dinâmicas económicas gerais. O aumento do custo dos materiais, as oscilações nas taxas de juro de eventuais financiamentos de equipamentos e as alterações no poder de compra dos pacientes são variáveis externas que o controlo de gestão deve ser capaz de detetar rapidamente.

Um bom sistema de monitorização não se limita a analisar os dados internos da clínica, mas acompanha também a evolução da taxa de aceitação de orçamentos em períodos de incerteza económica geral: uma quebra prolongada neste indicador, não explicável por fatores internos (comunicação clínica, preços), sinaliza frequentemente uma alteração na predisposição financeira dos pacientes que exige uma adaptação da estratégia comercial, e não apenas clínica.

Diversificar as fontes de faturação, por exemplo, não dependendo excessivamente de uma única especialidade clínica de custo elevado (como a implantologia), reduz a exposição da clínica a choques externos nessa categoria específica de tratamento.

Normas fiscais e obrigações contabilísticas associadas

O controlo de gestão não substitui as obrigações contabilísticas e fiscais da clínica, complementa-as.

O que o controlo de gestão acrescenta é uma leitura interpretativa dos dados que a contabilidade fiscal não disponibiliza por si só: a contabilidade indica quanto faturou e quanto deve pagar de impostos, enquanto o controlo de gestão revela se essa faturação é gerada de forma sustentável ou se esconde especialidades clínicas deficitárias.

É vantajoso que o software de gestão dentária produza relatórios compatíveis com as necessidades do contabilista, reduzindo o tempo de partilha de dados entre a clínica e a assessoria fiscal. A gestão de pagamentos integrada no software facilita também este processo, mantendo um registo organizado das receitas e das faturas emitidas.

Controlo de gestão e qualidade clínica: uma ligação direta

Um erro frequente é pensar que o controlo de gestão se foca apenas nos números e descura a qualidade dos tratamentos. Na realidade, os dois aspetos estão estreitamente interligados: uma receção organizada, uma agenda bem gerida e tempos de espera reduzidos têm um impacto direto na satisfação do paciente, o que se traduz em maior fidelidade e maior propensão para aceitar futuros planos de tratamento.

Monitorizar a taxa de aceitação de orçamentos não serve apenas para medir vendas. Uma taxa baixa pode revelar um problema de comunicação clínica, tempos de consulta excessivamente reduzidos ou falta de clareza na apresentação das opções terapêuticas ao paciente. Corrigir estes pontos melhora em simultâneo a margem económica e a experiência clínica.

O recall, abordado anteriormente como uma alavanca para a faturação recorrente, é antes de mais uma ferramenta de prevenção clínica. Um paciente chamado regularmente para consultas de controlo tem menor probabilidade de desenvolver patologias complexas e dispendiosas, um benefício que se reflete tanto na sua saúde como na sustentabilidade económica da clínica a longo prazo.

Perspetiva: o papel do proprietário em fazer funcionar os números

Nenhum painel de controlo, por mais bem concebido que seja, funciona se o proprietário não o analisar com regularidade e não traduzir os desvios em decisões. É aqui que muitos sistemas de controlo de gestão falham: não por escassez de dados, mas sim por ausência de um intérprete que os transforme em ação.

O envolvimento da receção e dos colaboradores não é um pormenor organizativo, é a condição que dita se os dados recolhidos serão rigorosos ou inutilizáveis. Quem regista as consultas diariamente define, na prática, a fiabilidade de todo o sistema.

O benefício mais subestimado do controlo de gestão não é o aumento imediato da faturação, mas sim a escalabilidade que permite crescer sem perder o controlo sobre a qualidade clínica ou sobre as margens, reduzindo o stress operacional de quem lidera a clínica no dia a dia.

— Matteo

Como o Treatbase simplifica o controlo de gestão diário

O Treatbase foi concebido para quem pretende aplicar o controlo de gestão sem acrescentar horas de trabalho administrativo à sua semana. O preenchimento por voz das fichas clínicas elimina a transcrição manual, enquanto a gestão integrada de faturas e pagamentos reduz os erros que habitualmente tornam os relatórios menos fiáveis.


Treatbase

Alguns softwares disponibilizam um painel financeiro integrado que apresenta os dados económicos da clínica sem necessidade de cruzar manualmente a contabilidade com o software clínico, um problema na origem de muitos controlos de gestão que nunca chegam a ser ativados. A agenda multi-cadeira e os lembretes automáticos conseguem reduzir as faltas às consultas, e a migração de dados do software anterior pode ser simplificada de modo a não exigir interrupções na atividade durante a transição.

Quem desejar ver na prática como funciona a gestão financeira integrada pode solicitar uma demonstração direta no site oficial do Treatbase e avaliar, com os seus próprios dados reais, quanto tempo a receção poderia recuperar mensalmente.

Fontes

Perguntas frequentes

Quais são as três fases do controlo de gestão?

As três fases são a recolha de dados (faturação, custos, consultas), a análise e relatórios através de um painel de controlo sintético, e a ação corretiva sobre os desvios identificados.

Quais são as tarefas do controlo de gestão?

Monitorizar KPI económicos como a rentabilidade horária, a saturação das cadeiras e o DSO, identificar desvios em relação ao orçamento e orientar decisões operacionais sobre a agenda, tabelas de preços e custos.

Qual é o melhor software de gestão dentária?

Não existe um único software ideal para todas as clínicas, mas as funcionalidades essenciais a avaliar são a agenda multi-cadeira, a faturação integrada, os lembretes automáticos e o painel financeiro: o Treatbase responde a estes requisitos com o preenchimento por voz das fichas que reduz o trabalho administrativo.

O que inspecionam as autoridades de saúde numa clínica dentária?

As inspeções sanitárias verificam o cumprimento dos protocolos de higiene e esterilização, a manutenção da documentação clínica e a conformidade com os requisitos de licenciamento previstos na legislação; estes aspetos são distintos do controlo de gestão económica, mas uma documentação clínica organizada no software facilita também este tipo de verificação.

Com que frequência deve ser atualizado o relatório de controlo de gestão?

A periodicidade recomendada é mensal ou trimestral, com um relatório sintético de uma ou duas páginas que permita ao proprietário identificar rapidamente os principais desvios sem ter de analisar dezenas de documentos.

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